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Para um Dia dos Namorados cheio de ideias!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Poemas de Amor…

A poesia é desde sempre uma das grandes formas de expressão de sentimentos. Poesia de amor é uma das vertentes da cultura portuguesa marcada pelo romantismo e inspiração que nos acolhe quando queremos dizer a alguém AMO-TE!

 

Deixamos de seguida algumas das referências de poesia romântica que fazem parte da literatura portuguesa com a certeza que se irá identificar com alguns deles...

 

Amar!

O Amor é uma companhia

Amor é fogo que arde…

 

 

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: aqui... além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...

Amar! Amar! E não amar ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...

 

 

 

 

 

 

 

Florbela Espanca

O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.

Um pensamento visível faz-me andar mais depressa e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

 

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

 

Toda eu sou qualquer força que me abandona. Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

 

 

 

 

 

 

 

Alberto Caeiro

(heterónimo de Fernando Pessoa)

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

 

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

 

 

 

 

 

 

Luís Vaz de Camões

 

Senhora Partem Tam Tristres

Olhos Negros

Este Inferno de Amar

Memória

Senhora, partem tam tristes

meus olhos por vós, meu bem,

que nunca tam tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

 

Tam tristes, tam saudosos,

tam doentes da partida,

tam cansados, tam chorosos,

da morte mais desejosos

cem mil vezes que da vida.

Partem tam tristes os tristes,

tam fora d'esperar bem,

que nunca tam tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

 

 

 

 

 

João Roiz Castell-Branco

Por teus olhos negros, negros,

Trago eu negro o coração,

De tanto pedir-lhe amores...

E eles a dizer que não.

 

E mais não quero outros olhos,

Negros, negros como são;

Que os azuis dão muita esperança

Mas fiar-me eu neles, não.

 

Só negros, negros os quero;

Que, em lhes chegando a paixão,

Se um dia disserem sim...

Nunca mais dizem que não.

 

 

 

 

 

Almeida Garrett

Este inferno de amar - como eu amo!

 Quem mo pôs aqui n'alma...quem foi?

Esta chama que atenta e consome,

 Que é a vida - e que a vida destrói -

Como é que se veio a atear,

Quando - ai quando se há - de ela apagar?

Eu não sei, não lembra: o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez... - foi um sonho -

Em que paz tão serena a dormi!

Oh! que doce era aquele sonhar...

Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso

Eu passei... dava o Sol tanta luz!

E os meus olhos, que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus

Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;

Mas nessa hora a viver comecei...

 

Almeida Garrett

Em meus momentos escuros

Em que em mim não há ninguém,

E tudo é névoas e muros

Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte

De onde em mim sou aterrado,

Vejo o longínquo horizonte

Cheio de sol posto ou nado

 

Revivo, existo, conheço,

E, ainda que seja ilusão

O exterior em que me esqueço,

Nada mais quero nem peço.

Entrego-lhe o coração.

 

 

 

 

 

Fernando Pessoa

Olha Marília, As Flautas Dos Pastores

Hino ao Amor

O Amor quando se revela

Amar

Olha, Marília, as flautas dos pastores

Que bem que soam, como estão cadentes!

Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

Os Zéfiros brincar por entre flores?

 

 

Vê como ali beijando-se os Amores

Incitam nossos ósculos ardentes!

Ei-las de planta em planta as inocentes,

As vagas borboletas de mil cores.

 

 

Naquele arbusto o rouxinol suspira,

Ora nas folgas a abelhinha pára,

Ora nos ares sussurrando gira:

 

 

Que alegre campo! Que a manhã tão clara!

Mas ah! Tudo o que vês, se não te vira

Mais tristeza que a morte me causara.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bocage

De olhar fixo no pensamento, viajei ao imaginário

Perdi-me no tempo, nas memórias…

Percorri e atravessei a trilha das almas

Ouvi sons de passos que não dei…

Despertei com o estalar do fogo, fogo que só tu sabes atear

 

O calor que me invade o corpo, envolve-me e unifica-me…

Aumenta em mim uma chama difícil de conter ou dominar

Sinto nascer em mim a sede insaciável…

Desejos secretos não acessíveis a todos os olhares

 

Envolvida por águas revoltas e macias

Reconheço a ternura das tuas emoções

Embalada pela dor penetrante de um ardente encontro

Sinto-me abraçada pelo som orquestrado de uma pintura com vida

 

Ouvem-se os ecos da passagem…

Murmúrios audíveis de um grito inquieto

Passível de inflamar as almas

Resgate do amor eterno

Na tela e na vida, atravessei o arco-íris.

 

Susana Silva

O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

 

Quem quer dizer o que sente 

Não sabe o que há de dizer. 

Fala: parece que mente

Cala: parece esquecer

 

Ah, mas se ela adivinhasse, 

Se pudesse ouvir o olhar, 

E se um olhar lhe bastasse 

Pra saber que a estão a amar! 

Mas quem sente muito, cala

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala, 

Fica só, inteiramente! 

 

 

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar, 

Já não terei que falar-lhe 

Porque lhe estou a falar...

 

 

 

 

 

Fernando Pessoa

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?

Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar?

Sempre, e até de olhos vidrados amar?

 

Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar?

Amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

 

Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.

 

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

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